terça-feira, 1 de março de 2011

bocantoria

ventania . . .
sopro da boca tua
toda bacante
caminhante
boca livre
falante

sorria . . .
contato nossos beiços
se lambem
ardentes
vão e vêm
mentem
o limite entre o estado pleno
calmo e sereno
e o calor do barulho
da agitação
se apresenta na visão da beleza
fora de nós
e o abismo frio
da alma aflita

face a realidade
é fato que me limito
a ser apenas o meio
em que o natural
passa por um artífice qualquer . . .

refração do mundo em mim

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

há de vir lá
há de virar

o tempo já
pois se virar

eu posso até
voltar a fé

há de virar
há de haver ar

pra respirar
respirar o ar

o ar que houver
se não houver

o que haverá?

há de haver algo
que satisfaça a alma
ou que pelo menos
a mantenha calma
muito calma
calma a alma


quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

eu vi
na mata eu vi
meu passarinho
cantando assim (2x)

você ouviu?
quer escutar?
meu passarinho
bater asas e voar (2x)

para levar
para longe o que
aquilo tudo
que eu queria dizer!

eu quero-quero ficar com você
não sabiá como ia fazer
eu bem-te-vi quando sonhava . . .
e pica-pau quando te levava pra casa! (2x)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

há de ter algo que satisfaça a alma
ou pelo menos a mantenha calma . . .

sábado, 15 de janeiro de 2011

afundado em superficção

devo sim tratar as coisas na superfície!

mas que perda não seria deixar de perder-me?
nos vales e leitos das coisas
o subterrâneo entendimento
rasteiro, sublime

lá no alto
nos topos e encostas
a luz e o vento revelam linhas e contornos
diferenciando e definindo toda experiência

deixando certos entendimentos

basta! tenho sim
fora essa emoção científica toda
de permanecer a um pé da coisa
cautela devida
sem mais meio ou fim
somente a devida atenção

devo imaginar
o tal e qual sobre
de maneira que
esta ou aquela certeza
esteja girando
em ciranda
sobre mim

e numa posição de criação
ver-me voltado para dentro
imaginando o eu sentido
uma imagem, densa e animada
vida orgânica
realizadora de projeções

projeto ao meu redor
filamentos do desejo e do sonho
e de repente me percebo
apenas parte desejada de mim mesmo
projeto de mim, do eu
de deus

ah . . . permanecer na superfície
o ar de tão leve
rarefeito . . .
nuvem
chão
pântano, água, terra
devida profundidade

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

gregário . . .
permissivo com a solidão

aos amigos