quinta-feira, 12 de novembro de 2009

discutir

se quiser
que o que você diz
venha a incutir
numa mudança
numa conduta

quando se pensa
ou simplesmente deseja
que o que se diz
esteja incutido
na própria andança

deixar tudo a limpo
com o desejo infantil
de nunca mais sujar
ou simplesmente para te esperar

deixar claro o que se sente
e conferir com o seu pensamento (doído)
ou seria a meia luz
melhor para este momento?

na escuridão da solidão
qualquer claridade
chama a atenção
acordando o coração

mas cedo ou tarde
há de se apagar
com a voz da sua vida chamando
e o coração adormecendo

não discutir
quando não se tem certeza
vaidade que ignora
a força eterna dos ventos

que preenchem o espaço
entre mim e você
ventania elétrica
que arrasta os sonhos

desilusões e esperanças
arremessadas ao ar da baía
confusas se abraçam
não entendendo a distância

se tivesse asa
voaria até você
e ainda te levaria (ou tentaria)
ao ponto mais alto de nós

nós é uma forma
dessas sem igual
de se amarrar mais de um
ficando ainda acordado

sábado, 31 de outubro de 2009

mim lá? quem dera, ao alvo em Campos . . .
companhia da fumaça
passatempo, passa
corredor, corre
pra onde? pra quê?

curtindo a leveza pesada do tempo
seu conteúdo, sua densidade
fiz fumaça
pra que ela leve
lave, lua, love, livre
alívio, dilúvio
corre solto, entre saltos

presente recém-passado
repassado
persistente, fantasiado
pesado
e claro, coerente

animado ou reticente
se é algo tão diferente
no instante sentido
somente

um instante no tempo
solar e lunar
um peso, uma tensão
na corda a vibrar

um som, uma visão
sabor, cor
perfume, flor
amor e dor

onde estará minha órbita?
(acredito não ser exclusiva)
onde começam os ventos?
em que trocam-se meus pensamentos?

que semente sou eu?
(acredito não ser exclusivo)
sou árvore da mata?
planta de jardim?
(e existe diferença?)
sou erva daninha?

sonho acordado
o peso da realidade
só por sonhar
quero mesmo é deixar
o vento levar minhas folhas
porque só resta de fato
o que resta do fardo
nem escuro nem claro
o resultado pardo
de cara inventado

sábado, 24 de outubro de 2009

vi torto
no espelho
este ser eu
já sido, desesperado
sou o que fui na procura de ser
mesmo sem querer
como se fosse sendo
indo, rindo ou chorando
ou ainda
nem um coisa nem outra

quando se cai em um sonho
voltamos assustados para a realidade
e eu que sonho acordado?
sonho ser,
ne realidade
acabo sendo,
mas só me resta realmente o nada
o nada querer ou pouco
olhar para frente
sem juntar o que passou
porque serei só
o que imaginei
e vi torto

onda urbana

pegando jacaré nas multidões
peneirando um mundo de ilusões

se peneirar elas aparecem
e se bobear elas te pegam pelo pé

buscando um bocado de visões
atravessando um espelho de razões

se cara, frente, muro
quebra, não se requebra

sábado, 17 de outubro de 2009

monólogo romântico

sou eu que lhe escrevo agora nestas linhas. sim, sou eu, eu que falo e penso e que, quando me percebo não me reconheço
vi no céu uma estrela, a única desta noite, ao lado de muitas nuvens e ventos. felizes são eles que estão no ar mais próximos dela. ah . . . e as suas liberdades . . .
nesta noite calma não consigo imaginar uma vontade sequer, apenas senti-las em todo o meu corpo. desejo todas as coisas do mundo vendo esta estrela, voaria e a tocaria como um instrumento bem tocado, com atenção e zêlo
quero tudo por algum momento, neste momento, nesta hora em que lhe escrevo. meu amor, falo sozinho com você, porque você sou eu . . . meu amor, quero realizar tudo que lhe convém, contanto que não corra
amo a calma, a atenção e o zêlo, amo assim ou assado, amor acelerado, mas não apressado . . . se carinho fosse rápido, teria outro nome, sairia caro para o coração
não quero nem caro, nem barato, quero dado, querido, agarrado, escrito, lido, quero por um fio nestas linhas, por um fio, vida por um fio
no rastro destes fios, fios d'água, de telefone, sigo, confio desde que os rastros o vento apague e fique um segredo . . . te amo . . .

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A Lice por um Triz na Trilha

"acontece - momento"
acontecimento
movimento
vento
sinto
pensamento lamento
lento sento
atento tento
pinto minto
era uma meta
muito engraçada
não podia
ser realizada

você podia
achar que sim
mas ela
podia não

você queria
ficar quatro dias
sem sapato
de pé no chão

mas não podia
ir na rua
porque lá
sujo é o chão

imagine
você aí
o fim
disso daqui

a tal meta
foi esquecida
de uma noite
para o dia

e amanhã
bem cedinho
vai sobrar
ela escrita

foi-se a meta
com suas iguais
para o mundo
do nunca mais . . .