terça-feira, 21 de dezembro de 2010

se fosse inseto era casca.
calendário interior no exterior das coisas a volta
tudo reflete o dentro
e fora, só verso
reverso do ser
avesso de sempre
destino certo
traçado
desconhecido

"a ave sai do ovo. o ovo é o mundo. quem quiser nascer tem que destruir um mundo. a ave voa para deus" Demian, Hermann Hesse

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

trechos de fora e dentro . . .

Para criar, destruí-me; tanto me exteriorizei dentro de mim, que dentro de mim não existo senão exteriormente. Sou a cena nua onde passam vários atores representando várias peças.
. . .
chefes industriais e comerciais, políticos, homens de guerra, idealistas religiosos e sociais, grandes poetas e grandes artistas, mulheres formosas, crianças que fazem o que querem. Manda que não sente. Vence quem pensa só o que precisa para vencer.
. . .
Um quietismo estético da vida, pelo qual consigamos que os insultos e as humilhações, que a vida e os viventes nos infligem, não cheguem a mais que a uma periferia desprezível da sensibilidade, ao recinto externo da alma consciente.

Bernardo Soares. Livro do Desassossego.
Fernando Pessoa

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

ali

ali
se

se alice
ali se visse
quanto alice viu
e não disse

se ali
ali se dissesse
quanta palavra
veio e não desce

ali
bem ali
dentro da alice
só alice
com alice
ali se parece

Paulo Leminski

jaz em mim

quem cala
é silente
lentamente ou não
segue silenciando
não a si somente
mas a todos os entes
que diametralmente
são dias
simplesmente
sementes . . .

o silenciado natural
rente ao silêncio total
lá no abissal

. . . sementes
que brotam
resurgindo
de repente
com o som

o ser mente
e se mente
tanto faz
se jaz silente!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

saudade do amor presente

queria falar de amor
já não quero mais
isso não quer dizer muita coisa
tanta coisa assim

poesia e azia? mal-estar
não é só isso, é sabido
mas sem mais nem menos
eu queria

já não quero mais, eu disse
mas cá estou falando de ontem
e ontem, ah que vontade
saudade, verdade, tranquilidade

às vezes se quer dizer
mas nem mais nem menos,
só o necessário para ver
pensar, rever, calar e só, querer
vento . . .
silêncio profundo
inaldito mundo
maldito? nem dito
silêncio surdo
ouvido virgem ao mundo
absurdo som
surdo, mudo e cego.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

principiante condição

condição
contradição
pra não passar em branco
exercitar a superação

princípio principal
principiantes precisos
precisando
precipitando
problemas
preciosos

e é precisamente nisso
ou naquilos outros
não mencionados por hora
supera-se sem e com demora

ora, ora, ora
agora é coisa imensa
demoraria uma vida
se precisasse entender
pra ir embora

a condição real
é a própria contradição ideal