segunda-feira, 21 de setembro de 2009

violência não é moral
não é do mundo pessoal
violência é um fenômeno social
deve ser entendido da maneira total
acontece que para grupos sociais
a solução é o outro mundo
o extermínio
enquanto determinados grupos
adiamento do escrutínio
ou candidatura do seu filho
para o Outro o outro mundo
para a sombra negra dos hotéis da zona sul
o uniforme negro, a voz sombria
capitalismo, capitacídio
faca per capita na caveira
marcou bobeira?
ou não marcou, reagiu?
problema social seu
ninguém viu
e se visse
problema per capita somente
classe, grupo, cor? nada
tudo igual, normal, natural
na moral
a massa humana ronca
caga
comem sem saber de onde vem
pagam a não sabem quem

esses sujeitos invisíveis
com uma discrição
típica de uma sociedade de classes
agradecem a preferência

vida urbanal
banalizadora das relações sociais
tudo junto e fornecido
democrática e organizada

quem faz a realidade são eles
quem mantém ela sou eu!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

sou um ser estranho a mim mesmo
sou o que sou e o que não sou
sou o que fui e o que não fui
mesmo quando estava sendo
cindido, incompleto
inclusive na percepção de mim mesmo
ser estranho eu sou
e todos os meus iguais
bem diferentes
mas de alguma forma
biosociohistoricamente semelhantes
ser humano
estranho estado
estranha existência
arrepios, suores, desesperos, prazeres
emoções, ficções
hinos, bandeiras
. . .
somos um bicho que pulsa
e uma consciência parcial
meu coração bate sem que eu mova uma especulação sobre a existência . . .

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Nossa imaginação de milagre
está ligada à própria Vida
Centelha, estopim, fagulha
milagre do mundo
mistério dos inícios e fins
em meio a tantas surpresas
imprevistos previsíveis
impossíveis previsões
factuais
momentâneas
corrente
corrente que arrasta o quê?
E a Natureza, a velha protetora, tomou
A criança em seu colo,
E lhe disse: "Aqui está um livro de Histórias,
Que teu pai escreveu para ti."

"Vem, vagueia comigo", ela disse,
"Adentre regiões ainda virgens;
E lê o que ainda não foi lido
Nos manuscritos de Deus."

Longfellow. "O Quinquagésimo Aniversário de Agassiz"
nascer e pôr do sol
fases da lua
são mais fundamentais
do que qualquer fundamentalismo
do que qualquer fundação
quero me afundar na matério viva
sou matéria orgânica
minha consciência capaz de mudar curso de rio
só existe com aquela mesma água
com a terra que ela irriga
com a semente que brota
busca a luz
trabalha apenas o suficiente
para crescer e reproduzir
não a si mesma
mas a toda a matéria viva
toda a incessante tarefa da Força
da qual somos apenas sopro.
não quero meu nome em placa
dispenso menções honrosas
quero sim
dias vividos com calma
trabalhar apenas o suficiente
mais tempo de trabalho, dizem maior produção
não quero mais
quero melhor
não quero reconhecimento
quero sim conhecer
os pequenos prazeres
das cores, cheiros, sabores
inúteis afazeres
belos dizeres
calma
um dia de cada vez
sombra, brisa, calor
sou um bicho
não posso me esquecer
tenho também que parar de lembrar
certas coisas, é claro.